Depois de Tales escolher a água como princípio de todas as coisas e Anaximandro propor o misterioso ápeiron, Anaxímenes apresentou uma terceira resposta: tudo se origina do ar.
À primeira vista, sua teoria pode parecer um retorno a Tales. Anaximandro havia alcançado uma ideia altamente abstrata — o ilimitado ou indeterminado — enquanto Anaxímenes voltou a escolher uma realidade presente na natureza. Entretanto, ele não se limitou a trocar a água pelo ar. Sua contribuição mais importante foi explicar como o princípio primordial poderia transformar-se nas diversas coisas que encontramos no mundo.
Quando se torna mais rarefeito, o ar produz o fogo. Quando se condensa, transforma-se sucessivamente em vento, nuvem, água, terra e pedra. As diferenças entre as coisas poderiam, assim, nascer de alterações de densidade em uma mesma realidade originária.
Anaxímenes também relacionou o ar à respiração e à alma. O mesmo princípio que mantém o ser humano vivo envolveria e sustentaria o cosmos inteiro. Natureza, vida e universo obedeceriam a uma única dinâmica.
Quase nada sabemos sobre sua biografia, e nenhuma obra completa chegou até nós. Suas ideias foram preservadas por autores posteriores, sobretudo através da tradição de Aristóteles e Teofrasto. Mesmo fragmentária, sua filosofia encerra a primeira grande sequência do pensamento milesiano e apresenta uma das primeiras tentativas gregas de explicar a diversidade material por um processo regular de transformação.
Quem foi Anaxímenes de Mileto?
Anaxímenes viveu aproximadamente entre 586 e 526 a.C., embora as datas sejam incertas. Nasceu em Mileto, cidade grega da Jônia localizada na costa ocidental da Ásia Menor, região pertencente atualmente à Turquia. Diógenes Laércio o identifica como filho de Eurístrato e ouvinte ou discípulo de Anaximandro.
Essa relação não deve ser imaginada necessariamente como uma escola formal, com salas, matrículas e um currículo fixo. A expressão Escola de Mileto é utilizada para reunir Tales, Anaximandro e Anaxímenes porque os três procuraram um princípio natural para o cosmos e desenvolveram respostas ligadas umas às outras.
Tales perguntou se a diversidade do mundo poderia proceder da água. Anaximandro argumentou que o fundamento não deveria ser nenhum elemento determinado e propôs o ápeiron. Anaxímenes parece ter respondido aos dois: o princípio precisa ser ilimitado e capaz de gerar todas as coisas, mas também deve possuir uma natureza definida que permita explicar suas transformações.
Sua escolha foi o ar — uma realidade que está por toda parte, envolve os seres, movimenta-se, pode tornar-se visível como névoa e está diretamente ligada à respiração.
Mileto continuava sendo um importante centro marítimo e comercial. O contato com diferentes povos favorecia a circulação de conhecimentos astronômicos, meteorológicos, geográficos e técnicos. Entretanto, sabemos ainda menos sobre a vida de Anaxímenes do que sobre as de Tales e Anaximandro. Não possuímos relatos seguros de viagens, atuação política ou acontecimentos pessoais.
Sua importância está quase inteiramente em suas ideias.

Uma obra perdida e poucos testemunhos
A tradição afirma que Anaxímenes escreveu um livro em prosa, posteriormente chamado de Sobre a Natureza. Diógenes Laércio diz que sua linguagem era jônica, simples e sem ornamentação excessiva. A descrição pode conservar alguma informação antiga, mas o livro desapareceu.
Não possuímos páginas escritas diretamente por Anaxímenes. O que chegou até nós são pequenas frases e relatos preservados por autores posteriores. Teofrasto, sucessor de Aristóteles, foi uma fonte decisiva para a organização de sua doutrina; séculos mais tarde, Simplicício reproduziu parte dessa tradição em seus comentários à física aristotélica.
Há também testemunhos transmitidos por Hipólito, Plutarco, Aécio, Diógenes Laércio e outros compiladores. Essas fontes nem sempre concordam e podem interpretar Anaxímenes através de conceitos desenvolvidos depois dele.
Até mesmo as frases tradicionalmente classificadas como fragmentos diretos possuem autenticidade ou redação discutidas. Por isso, devemos distinguir entre palavras possivelmente próximas do texto original e resumos antigos de suas ideias.
Por que Anaxímenes escolheu o ar?
O ar possui uma condição peculiar. Ele é material, mas normalmente invisível. Não enxergamos diretamente o ar limpo, embora percebamos seus efeitos quando respiramos, quando o vento move as árvores ou quando uma corrente refresca a pele.
Ele também parece não ter limites claros. A água reúne-se em rios, lagos e mares; a terra apresenta superfícies e fronteiras; o fogo aparece em focos determinados. O ar, ao contrário, envolve continuamente os seres e se estende pelo espaço conhecido.
Nesse sentido, a escolha de Anaxímenes aproxima Tales e Anaximandro. Como a água de Tales, o ar é uma realidade natural definida. Como o ápeiron de Anaximandro, ele parece vasto, inesgotável e capaz de envolver todas as coisas.
É importante, porém, não identificar o “ar” antigo com a definição da química moderna. Anaxímenes não conhecia a mistura atmosférica de nitrogênio, oxigênio e outros gases. A palavra grega aḗr podia evocar ar, névoa, vapor e a região inferior da atmosfera. Seu princípio era uma realidade mais ampla, próxima também da respiração e do sopro vital.
O ar não foi escolhido apenas porque existia em grande quantidade. Ele oferecia a Anaxímenes um caminho para explicar as mudanças observáveis na natureza.

Rarefação e condensação: como o ar produz o mundo
A principal inovação de Anaxímenes está na doutrina da rarefação e da condensação. As coisas não surgiriam do ar por um ato mágico ou por uma decisão divina. Elas apareceriam quando o princípio primordial se tornasse mais disperso ou mais compacto.
O testemunho preservado por Simplicício apresenta a sequência fundamental:
“Quando rarefeito, o ar torna-se fogo; quando condensado, torna-se vento, depois nuvem, água, terra e, por fim, pedras.”
Quanto mais rarefeito, mais quente e leve seria o ar, até tornar-se fogo. Quanto mais condensado, mais frio, pesado e sólido, passando por diferentes estados: vento, nuvem, água, terra e pedra. Todas as outras coisas surgiriam desses processos e de suas combinações.
A teoria é simples, mas filosoficamente poderosa. Anaxímenes tentou relacionar diferenças qualitativas — quente e frio, leve e pesado, fluido e sólido — a variações na concentração de um mesmo princípio.
Não se trata ainda de uma teoria quantitativa no sentido moderno. Ele não media pressão, temperatura ou densidade, nem descrevia moléculas. Contudo, propôs um mecanismo geral capaz de conectar fenômenos diferentes.
A diversidade do mundo não exigia uma nova explicação para cada coisa. Uma transformação regular poderia produzir fogo, vento, nuvens, chuva, solo e pedras.
A experiência da respiração
Plutarco associa a teoria de Anaxímenes a uma observação muito simples. Quando sopramos com os lábios quase fechados, sentimos um ar mais frio. Quando expiramos com a boca aberta, o sopro parece mais quente.
Experimente aproximar a mão da boca. Primeiro, sopre como se quisesse resfriar uma bebida. Depois, expire como se tentasse aquecer as mãos. A sensação realmente muda.
Anaxímenes ou a tradição que explicou seu pensamento relacionou essa diferença à compressão e à expansão do ar. O ar comprimido pelos lábios pareceria frio; o ar mais solto, quente.
A explicação física moderna envolve fatores mais complexos, incluindo a velocidade do fluxo, a mistura com o ar ambiente e a evaporação sobre a pele. Mesmo assim, o exemplo possui grande valor histórico. Uma experiência cotidiana foi utilizada para apoiar uma teoria geral sobre as transformações da matéria.
Em vez de permanecer apenas no plano abstrato, a cosmologia buscava alguma ligação com aquilo que o corpo podia observar.
“Assim como nossa alma é ar”
A frase mais conhecida atribuída a Anaxímenes relaciona diretamente o ser humano ao universo. Em uma tradução possível:
“Assim como nossa alma, sendo ar, nos mantém unidos, também o sopro e o ar envolvem o cosmos inteiro.”
A palavra “alma” não deve ser entendida imediatamente segundo concepções cristãs, cartesianas ou espiritualistas modernas. No pensamento grego arcaico, a alma podia estar relacionada ao princípio de vida, movimento e respiração. Um corpo vive enquanto respira; quando o sopro cessa definitivamente, a vida termina.
Anaxímenes teria percebido uma analogia entre o microcosmo humano e o macrocosmo. O ar mantém o indivíduo vivo e unido; da mesma maneira, o ar cósmico envolve, sustenta e organiza o mundo.
Essa comparação não é apenas uma curiosidade poética. Ela une cosmologia e reflexão sobre a vida. A mesma realidade está dentro e fora de nós. Não somos constituídos por um princípio completamente diferente daquele que forma o universo.
O ser humano respira o cosmos e participa de sua natureza.
O ar era uma realidade divina?
Alguns testemunhos afirmam que o ar de Anaxímenes era infinito, eterno, sempre em movimento e dotado de caráter divino. Isso seria coerente com a tradição milesiana: o princípio originário não é apenas uma matéria passiva, mas uma realidade capaz de gerar e sustentar a ordem do mundo.
Entretanto, o ar não aparece como um deus pessoal com rosto, vontade, mandamentos e intervenções particulares. Ele não é simplesmente Zeus convertido em elemento. Seu caráter divino estaria ligado à eternidade, à vastidão, ao movimento e à capacidade de envolver todas as coisas.
Também não devemos identificar automaticamente o ar primordial com o Espírito Santo, o prāṇa indiano, o qi chinês, o éter ocultista ou conceitos modernos de energia. Existem comparações possíveis entre tradições que associam respiração, vida e espírito, mas elas precisam respeitar as diferenças históricas.
Em Anaxímenes, o ponto mais seguro é cosmológico: o ar é a origem material e vital do mundo conhecido.
A formação da Terra
Segundo os testemunhos antigos, a Terra teria surgido quando o ar se condensou. Ela seria plana e larga, permanecendo sustentada pelo ar como uma folha ou tampa que flutua sobre uma corrente.
Nesse aspecto, Anaxímenes afastou-se da solução mais ousada de Anaximandro. Para este, a Terra permanecia livre no centro porque estava igualmente relacionada a todas as direções. Anaxímenes voltou a oferecer um suporte: o ar que se encontra abaixo dela.
Isso pode parecer um retrocesso. Entretanto, sua explicação integrava a Terra ao mesmo mecanismo aplicado às demais coisas. A Terra nasce da condensação do ar e permanece sobre ele por causa de sua forma larga e achatada.
Aristóteles posteriormente criticaria explicações desse tipo. Ainda assim, Anaxímenes buscava compreender estabilidade, peso e sustentação por meio de propriedades naturais, não através de uma coluna divina, um animal cósmico ou um apoio mitológico.

O Sol, a Lua e as estrelas
A astronomia de Anaxímenes é difícil de reconstruir porque os relatos são fragmentários e, às vezes, contraditórios. Ele parece ter pensado que os astros surgiram da Terra ou da umidade terrestre, tornando-se ardentes por rarefação ou movimento.
Algumas fontes afirmam que o Sol, a Lua e outros corpos eram planos ou semelhantes a folhas de fogo sustentadas pelo ar. Os astros circulariam ao redor da Terra como um chapéu ou gorro gira ao redor da cabeça, sem necessariamente passar por baixo dela.
Essa imagem preservava uma cosmologia fechada e geocêntrica. Anaxímenes não conhecia as dimensões, distâncias ou movimentos reais dos corpos celestes. Seu modelo é muito distante da astronomia moderna.
O aspecto historicamente relevante está na tentativa de explicar os astros pela mesma matéria e pelos mesmos processos encontrados na natureza terrestre. Céu e Terra não pertenciam a realidades completamente separadas: ambos procediam do ar e de suas transformações.
Nuvens, chuva, neve e granizo
A meteorologia ocupava uma posição central em seu pensamento porque oferecia exemplos visíveis das mudanças do ar.
Quando o ar se condensava, formava o vento. Uma condensação maior produziria nuvens; comprimidas ainda mais, as nuvens liberariam água. Em determinadas condições de frio, surgiriam neve e granizo.
O céu fornecia diariamente uma espécie de demonstração da teoria. O ar invisível torna-se vento perceptível; o vento reúne umidade; a nuvem escurece; a chuva cai e alimenta rios e terrenos. A sequência sugeria que uma realidade podia assumir aparências diferentes sem exigir princípios independentes.
Anaxímenes não possuía nossa compreensão do ciclo da água, das mudanças de fase ou da dinâmica atmosférica. No entanto, procurou unir os fenômenos meteorológicos em uma explicação coerente.
Relâmpagos, arco-íris e terremotos
As fontes também lhe atribuem explicações para relâmpagos, arco-íris e terremotos. Os relâmpagos ocorreriam quando o vento separasse violentamente as nuvens, produzindo um brilho semelhante ao fogo. O arco-íris surgiria quando os raios solares encontrassem uma massa de ar ou nuvem densa.
Os terremotos seriam causados por mudanças na própria Terra. Em períodos de grande secura, o solo poderia rachar; com excesso de umidade, poderia enfraquecer ou desmoronar. O movimento resultaria dessas alterações, não necessariamente da ação de uma divindade irritada.
As explicações estão incompletas ou erradas segundo a ciência atual, mas compartilham uma orientação: procurar causas naturais recorrentes para acontecimentos aparentemente extraordinários.
Anaxímenes não precisava inventar um agente diferente para cada fenômeno. Vento, umidade, calor, resfriamento, condensação e movimento forneciam um vocabulário comum para compreender o mundo.

Tudo era literalmente ar?
É comum resumir Anaxímenes como um “monista materialista” que acreditava que tudo continuava sendo ar em diferentes estados. Essa interpretação é possível e foi fortalecida pela leitura de Aristóteles, para quem os primeiros filósofos procuravam um substrato material permanente.
Contudo, estudiosos modernos discutem se os milesianos já possuíam uma ideia de matéria subjacente comparável à teoria aristotélica. Anaxímenes talvez pensasse que o ar realmente permanecia dentro da pedra como sua substância oculta. Mas também é possível que imaginasse uma transformação efetiva: o ar deixa de ser ar ao tornar-se água, terra ou pedra, embora essas realidades possam voltar a transformar-se.
As fontes disponíveis não permitem resolver completamente a questão.
O que podemos afirmar com maior segurança é que o ar ocupa o início da sequência e que rarefação e condensação explicam a passagem entre diferentes formas naturais.
O que é histórico e o que permanece incerto?
Nossa imagem de Anaxímenes depende quase inteiramente de testemunhos posteriores. É útil separar o material em três níveis:
- Núcleo relativamente seguro: Anaxímenes foi um pensador de Mileto do século VI a.C.; escolheu o ar como princípio e relacionou as transformações naturais à rarefação e à condensação.
- Testemunhos filosóficos antigos: a comparação entre alma e ar, a sequência fogo–ar–vento–nuvem–água–terra–pedra, a Terra plana sustentada pelo ar e suas explicações meteorológicas pertencem à tradição antiga sobre sua doutrina.
- Detalhes difíceis de comprovar: datas exatas, relação pessoal com Anaximandro, redação original das frases, formato preciso de sua cosmologia e atribuições particulares sobre instrumentos ou descobertas permanecem incertos.
Não possuímos seu livro para verificar como ele argumentava, organizava os temas ou respondia às objeções. Os autores posteriores selecionaram suas ideias de acordo com interesses próprios.
Isso não torna sua filosofia irrelevante, mas exige que não preenchamos as lacunas com certezas inventadas.
A importância de Anaxímenes
Anaxímenes costuma receber menos atenção que Tales e Anaximandro. A água de Tales tornou-se o símbolo do nascimento da filosofia; o ápeiron de Anaximandro impressiona por sua abstração. O ar de Anaxímenes, por parecer simples, pode ser injustamente tratado como uma repetição.
Entretanto, sua contribuição responde a uma dificuldade fundamental: não basta apontar a origem; é necessário explicar o processo de transformação.
Tales escolheu um princípio observável. Anaximandro percebeu que o fundamento precisava ultrapassar as qualidades particulares. Anaxímenes procurou unir as duas exigências: uma realidade definida, porém vasta e flexível, capaz de transformar-se por um mecanismo regular.
Rarefação e condensação ofereceram um modelo de como diferenças de grau poderiam produzir diferenças de aparência e comportamento. Essa estrutura influenciou o desenvolvimento posterior da filosofia natural grega. Diogenes de Apolônia retomaria o ar como princípio no século V a.C.; ideias ligadas a respiração e ar também apareceriam na medicina antiga.
Anaxímenes mostrou que uma teoria do cosmos precisa falar não somente do que existe no princípio, mas também de como esse princípio se torna mundo.

Os três filósofos de Mileto
Tales, Anaximandro e Anaxímenes não devem ser vistos apenas como três homens tentando adivinhar qual elemento “venceu”. Suas doutrinas formam uma conversa filosófica:
- Tales: a diversidade possui uma origem natural comum, identificada com a água.
- Anaximandro: nenhum elemento determinado pode ser absoluto; a origem é o ápeiron.
- Anaxímenes: o princípio pode ser determinado e ilimitado; o ar produz a diversidade por rarefação e condensação.
Cada resposta preserva algo da anterior e enfrenta uma nova dificuldade. O pensamento não avança por uma revelação definitiva, mas por propostas, críticas e reformulações.
Essa talvez seja a maior herança de Mileto. A explicação do mestre não se torna um dogma intocável. O sucessor pode discordar, conservar parte do problema e construir outra solução.
Conclusão
Anaxímenes encontrou no ar uma realidade humilde e imensa. Ele está ao redor de todos, entra no corpo pela respiração e permanece invisível até manifestar-se como vento, névoa ou nuvem. Pode parecer leve e quase inexistente, mas também estaria na origem da água, da terra e das pedras.
Sua filosofia uniu o íntimo e o cósmico. O sopro que mantém o ser humano vivo seria da mesma natureza que o ar envolvendo o universo. Aquilo que respiramos participa daquilo que forma o mundo.
Seu modelo físico estava errado em muitos aspectos. A Terra não é plana nem sustentada pelo ar; pedras não surgem simplesmente pela condensação atmosférica; os astros não são folhas de fogo que circulam ao nosso redor. Porém, medir sua importância apenas pela correção das respostas seria perder o essencial.
Anaxímenes buscou um mecanismo geral. Ele quis mostrar como uma realidade se torna muitas, como o invisível adquire forma, como diferenças de densidade produzem diferentes estados e como céu, Terra, vida e respiração podem pertencer a uma única natureza.
Se Tales perguntou de que o mundo nasceu e Anaximandro perguntou o que existe antes de toda determinação, Anaxímenes acrescentou uma terceira pergunta: por qual processo o princípio se transforma em todas as coisas?
Sua resposta foi a respiração do cosmos: o ar que se expande, se condensa e assume as formas do mundo.
Referências e leituras recomendadas
- ARISTÓTELES. Metafísica, livro I. Testemunhos sobre os princípios propostos pelos primeiros filósofos.
- ARISTÓTELES. Do Céu, livro II. Discussões antigas sobre a forma e a sustentação da Terra.
- SIMPLICÍCIO. Comentário à Física de Aristóteles, 24.26–25.1. Relato da doutrina de rarefação e condensação.
- DIÓGENES LAÉRCIO. Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres, livro II. Tradições biográficas sobre Anaxímenes.
- CURD, Patricia. “Presocratic Philosophy”. Stanford Encyclopedia of Philosophy.
- GRAHAM, Daniel W. “Anaximenes”. Internet Encyclopedia of Philosophy.
- GRAHAM, Daniel W. Explaining the Cosmos: The Ionian Tradition of Scientific Philosophy. Princeton: Princeton University Press, 2006.
- KIRK, G. S.; RAVEN, J. E.; SCHOFIELD, M. The Presocratic Philosophers. 2. ed. Cambridge: Cambridge University Press, 1983.
Nota histórica: Nenhuma obra completa de Anaxímenes foi preservada. Suas frases e doutrinas chegaram por testemunhos posteriores, e a redação exata dos fragmentos atribuídos a ele permanece discutida.
